Domingo, 19 de Outubro de 2008

Um pouco de mim

cerqueira - Orquestra.Vit: Donas

 

 

 

«Para ouvir enquanto lês» 

 

A minha infância correu como a de outros miúdos da minha idade e como podia ser na aldeia onde cresci. De verdade antes de ir para a escola poucas são as lembranças, embora sempre recorde algumas brincadeiras, que eram principalmente jogar à bola pelos caminhos, que campo de futebol não havia, fazer alguns brinquedos manuais para imaginar outras actividades e outras vidas, sonhar… Ainda sou um sonhador!... Chegada a idade de ir para a escola lá fui eu descobrir novos mundos, acompanhado pela minha Mãe fui apresentar-me na escola de Vitorino das Donas e a Professora D. Luísa recebeu-nos à porta da escola com um sorriso e depois de conversar um pouco com as Mães dos novos ‘estudantes’ lá entramos para a sala de aula para começar a aprender as letras com que iríamos formar as palavras e os números com que iríamos fazer as contas, letra a letra fomos aprendendo e formando palavras com que fomos aprendendo a escrever e a ler, os números também se foram materializando na nossa mente para fazer-mos as contas de multiplicar, dividir, somar e subtrair… Conheci outras Professoras e ensinamentos transmitiram, a D. Rosa, a D. Elmira, a D. Aurora… Todas me deixaram algumas saudades, pois foram Pessoas que me ensinaram os primeiros passos da vida de aprendizagem e me abriram o caminho do conhecimento.

Terminado o ensino primário tive de deixar a escola, continuar os estudos estava fora de horizonte, tive que começar no mundo do trabalho, sim, bem cedo comecei a trabalhar, ao volante de um tractor quase pode dizer-se que cresci, com quinze anos já passava os dias a fazer os trabalhos na agricultura e outros trabalhos que era preciso fazer para ganhar o sustento e melhorar a vida. Ao volante de um tractor passei os anos desde a escola até ir cumprir o serviço militar, fazia sol, fazia chuva, frio ou calor lá ia eu pelos caminhos da aldeia, pelos campos, carregar e descarregar cargas de produtos agrícolas.

Na minha terra existia um grupo de música, que era conhecido por “Orquestra de Vitorino das Donas”, um grupo que tinha sido formado pelo meu Avô,embora eu quando novo e ao sair da escola ainda não fosse muito apaixonado por música, gostava de ver e ouvir quando esse grupo actuava, grupo que principalmente tocava em missas e algumas vezes tocava em procissões religiosas, na Páscoa fazia o acompanhamento do compasso pascal em Vitorino das Donas e era na Páscoa que mais gostava de ouvir a Orquestra tocar. Um pouco influenciado pelo meu Pai fui aprender música para poder ingressar nesse grupo; - “Orquestra de Vitorino das Donas” – Digo que não era muito bom na música, aprendia com alguma dificuldade, mas sempre consegui aprender alguma coisa e o bastante para o “bichinho” da música se ir entranhando em mim, aprendi a tocar flauta, embora eu prefira dizer que tocar não será bem o termo, digo antes, sei pegar numa flauta e produzir algumas notas musicais. Por esse grupo andei vários anos, entre uma interrupção de alguns anos por motivos pessoais, acabei por fazer parte da direcção do grupo e cheguei a ser o presidente da direcção. Já depois de ter deixado de ser presidente mas ainda fazendo parte do grupo como elemento activo na minha missão de tocar flauta, este grupo participou na Expo-98 em Lisboa, fazendo duas actuações de rua e duas actuações no palco Promenade, um dos melhores palcos da Expo-98, recordação que guardo com algum orgulho. Mas os anos passam a vida muda e acabei por anos mais tarde deixar o grupo e agora a vida da música reserva-se a algumas actuações com colegas uma vez ou outra mas, a título particular. A música mesmo a nível amador requer muita dedicação e disponibilidade, coisa que a vida profissional por vezes não deixa e depois num grupo de música todos tem de olhar em frente, coisa que nem sempre acontece e se assim não for pouco se consegue fazer.

Como quase todos os miúdos eu também adorava futebol e ia jogando com os colegas, há falta de campo jogava-se nos caminhos e campos improvisados e lá ia-mos fazendo os nossos jogos de tardes de domingo e imaginando ser jogadores a sério, quando mais tarde na Terra se construiu um campo de futebol e formou-se uma equipa na freguesia, como era de esperar eu apresentei-me para jogar na equipa e tentar ser um jogador mais a sério. Assim fui inscrito na equipa de Vitorino das Donas e participei em vários jogos do campeonato distrital da Associação de Futebol de Viana do Castelo na época 1985/1986, não cheguei a terminar o campeonato pois uma lesão num joelho levou-me a abandonar os jogos com tristeza minha, pois futebol era uma paixão e jogar com uma bola nos pés era fantástico e sentia-me noutro mundo, mas essa lesão levou-me a abandonar esse sonho que era jogar, que mesmo sendo a nível amador eu adorava jogar e sem falsa modéstia consideravam-me um jogador razoável para este nível. Ao ficar para trás este sonho que era jogar futebol dediquei-me mais à música e foi nessa fase que voltei a ingressar no grupo de música, pois desde uns anos antes até esta altura eu tinha deixado de pertencer ao grupo, tinha nesta altura vinte e três anos, tinha acabado de regressar do serviço militar. 

 

     

Publicado por Palavras Soltas às 00:18
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1 comentário:
De Dalinha Catunda a 20 de Outubro de 2008 às 14:01
Olá Moises ,
Dei um passada em seus blogs, gostei de todos eles, muito bem montados.
O de fotografia está ótimo . Adorei as paisagens naturais.
Um abraço,
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Olá Moises , <BR>Dei um passada em seus blogs, gostei de todos eles, muito bem montados. <BR>O de fotografia está ótimo . Adorei as paisagens naturais. <BR>Um abraço, <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Dalinha</A>

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