Terça-feira, 21 de Junho de 2011

23:30 horas do dia 25 De Novembro de 2010

23:30 horas do dia 25 De Novembro de 2010, aeroporto de Lisboa, embarco no avião com destino a São Tomé e Príncipe.
Viagem há muito ansiada desde que li o livro o “Equador” do Miguel Sousa Tavares. Se ainda não leram aconselho a ler.
Sento-me no lugar que me está destinado e tento relaxar, mas alguma ansiedade de ir ver aquela Terra não me deixa descansar muito, se é que é possível descansar dentro de um avião e numa viagem que demora umas seis horas. Sabem o que é estar seis horas dentro de um avião? E num avião pequeno que só tem bancos para estarmos sentados. Nem um bar, nem sala de bilhar tem… Não levem isto a sério porque um avião é mesmo assim. Mas vamos ao que interessa. A minha ansiedade prendia-se que ao ler o “Equador” li factos históricos. Alguns factos que eu poderia constatar no local.
Já confessei e sabem de outros escritos meus, que África me fascina. Acho África fascinante e misteriosa. Seduz e não se deixa seduzir. Ali contemplamos e ficamos presos sem prender… (É uma opinião pessoal dos sentires que tive nas várias África(s) que visitei …)
Agora ia sentir São Tomé e Príncipe.
O avião rola na pista, acelera, ouve-se o ruído dos motores, aquela ‘coisa’ treme um bocadinho, levanta o nariz e lá estamos nós nos céus de Lisboa. Inclina-se para a direita, volta a ficar nivelado e sobe, sobe, até á altura da velocidade de cruzeiro… E dali até São Tomé é quase uma linha recta. (relato isto porque depois de mais de muitas viagens, o levantar voo de um avião comigo dentro continua a dar-me um gozo e um prazer enorme… Já disse, pronto.)
- Senhores passageiros, obrigado por viajarem connosco, a nossa viagem até São Tomé durará cerca de seis horas. Mantenham os cintos apertados enquanto o sinal estiver aceso. Esperamos que tenham uma viagem agradável.
Ouviu-se a voz da chefe de cabine e desejar-nos boa viagem. Sempre a simpatia da TAP.
Chegaríamos ao destino pelas 5:30 horas locais, na altura a mesma hora que em Portugal.
Depois de passadas essas horas com uma viagem tranquila ouve-se a voz da chefe de cabine dizer.
- Senhores passageiros, vamos começar a descer para São Tomé.
Passados alguns minutos ouve-se a voz do comandante de voo.
- Senhores passageiros, está mau tempo em São Tomé mas mesmo assim vamos tentar aterrar, se não conseguirmos vamos para Libreville até que a tempestade passe em São Tomé.
- Onde é Libreville? Pergunto eu á hospedeira.
- É no Gabon. Está tempestade em São Tomé e se não conseguirmos aterrar vamos para lá.
Não houve tempo para mais nada…
O avião começou a tremer… Eu olho pela janela e com o dia a clarear, que naqueles sítios o dia começa pelas cinco horas da manhã, olho pela janela e de tanto nevoeiro e nuvens tão cerradas nem conseguia ver a ponta da asa do avião… Mas não tive mais vontade de olhar pela janela.
O avião balançava tanto que parecia que se ia quebrar... O pessoal tripulante mal se conseguia manter em pé, agarrava-se como podia aos bancos. Os gritos dos passageiros eram ouvidos em toda a nave que lutava por se manter direita nessa tempestade… Pânico total dentro do avião…
Repentinamente cai… Mais uns balanços horríveis… E todos pensávamos o pior… “este avião não se aguenta e vai partir-se….”
Novamente ouvem-se gritos de pânico… Eu nem sei se gritei também… Era assustador…
Eu olhava para o pessoal assistente de bordo e via como estavam assustados também. (quando um avião treme um pouco eu costumo olhar para os assistentes de bordo e se eles estão calmos eu descanso também). Mas naquele caso era bem diferente. Todos estavam em pânico…
Repentinamente outra vez… O avião cai que até saltamos do banco, não fosse o cinto e eu sei que teria caído… (já andaram na montanha russa? Pois é idêntico aquela descida brusca…) Só esperava ver quando as bagageiras caiam em cima de nós… Os gritos de pânico sucediam-se…
O Avião inclina-se para a direita, os motores rugem, a nave sai da zona de turbulência e os balanços vão-se reduzindo aos poucos… Tudo isto demorou breves minutos que pareciam eternidade.
Quando o avião estabiliza ouve-se a voz do comandante de voo.
- Senhores passageiros é impossível seguir para São Tomé devido ao mau tempo, está tempestade em São Tomé e então teremos que ir para Libreville até a tempestade passar.
Todos os passageiros ficaram em silêncio sepulcral, mas dali até ao Gabon a viagem foi tranquila. Mais umas voltas sobre os céus de África e começamos a descer para Libreville.

Sobrevoamos a floresta do Gabon e mais alguns minutos avista-se o aeroporto de Libreville…

E aterramos tranquilamente… Ninguém saiu do avião, não havia autorização para tal… (também fiquei com a sensação que se houvesse autorização para sair deste avião ele chegaria a São Tomé com metade dos passageiros, ou menos ainda. A maior parte dos passageiros eram africanos e a coragem parece que não  muita… Constatei.)
Depois de umas três horas ali estacionados na placa do aeroporto de Libreville no Gabon e terem reabastecido o avião da SATA, fretado pela TAP, houve utorização para rumarmos novamente a São Tomé.
O avião faz-se à pista e levantamos voo rumo ao nosso destino inicial, São Tomé e Príncipe.
Uma hora de viagem tranquila desde o Gabon até ao aeroporto internacional de São Tomé.
Avista-se a Ilha de São Tomé e o avião passa… Vai dar uma volta no céu e volta. Desce, desce… Desce e obrevoa a água do oceano Atlântico, vem rasando a água e avista-se a orla de costa que a mim parece que o avião vai perder as rodas de tão baixo que vai e as rochas estão ali a aproximar-se. Mas nada disso, a pista começa ali em cima do mar. Início da pista e as rodas tocam o asfalto com os “tremeliques” naturais de uma aterragem. Sentem-se os travões a accionar e a velocidade ser reduzida rapidamente, somos impelidos para a frente mas o cinto segura-nos ao banco.

 

O avião rola pela pista entre o capim alto que temos a sensação de ali só existir aquele bocado de asfalto no meio do nada… Rolamos até ao final da pista e o avião dá a volta pelos próprios meios que ali reboques de aviões não há.

O avião regressa até à placa e estaciona.
Olho pela janela e nota-se os sinais da tempestade que ali tinha passado. Quando saí do avião percebia-se que tinha chovido muito, o ar estava impregnado de humidade. O calor era intenso e a humidade colava-se ao corpo. Estou habituado ao calor de África, mas a humidade ali é quase sufocante.
Cá estou eu em São Tomé. Agora vamos ver como é esta Terra. (depois de fazer o trabalho, claro)
Uma hora para passar a alfandega, controlo de passaporte e bagagem e saio para a área de espera que é junto ao parque de estacionamento.
Chegam a mim os vendedores de artesanato local.
- Amigo, agora não vou comprar nada, quando for embora compro-te.
- Olhe que não se esqueça, eu sou o Zé e vou esperar por si.
- Sim.- Amigo, precisa de um táxi? Diz-me outro homem.
Eu como não tinha amigos por ali e não ia precisar de táxi, respondi.
- Obrigado mas não preciso que um colega da empresa vem buscar-me.
Mais uns minutos e chegou o Colega que me levou para essa estadia de uma semana em São Tomé…
Isto foi a 1ª Viagem…

 

 

Voltarei outro dia para relatar as minhas emoções e sentires nessa Ilha de São Tomé….

 

Obs: Eu atrás disse várias África(s) porque tive o privilégio de visitar Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe. E em todos estes locais senti uma África diferente. Várias vivências e sentires dos Povos. Em cada sito sentimos coisas diversas. Cada local é diferente mas com a sua beleza peculiar.

 

Publicado por Palavras Soltas às 23:00
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