Sábado, 24 de Novembro de 2007

"África Minha"...

Huambo – Angola:
Uma viagem apaixonante; Impressiona, pela positiva e negativa.
Apaixonado por aviões mas nunca tinha entrado numa dessas “Máquinas Voadoras”.
Aeroporto, Porto e Lisboa, voar até Luanda e depois voar mais um bocadinho até Huambo… Luanda; primeiro embate com outro mundo, sair do avião e sentir de imediato o cheiro de África, ar mais pesado, quente e húmido apesar das 7 horas da manhã, recepção do aeroporto primeiro choque, contraste arrasador, um espaço que parou no tempo há 40 anos, as pessoas fazem o que podem para os cerca de 200 passageiros demorarem o menos possível, depois de duas horas e meia lá consegui sair para o exterior onde um funcionário da empresa me esperava simpaticamente e lá me levou para o voo doméstico entre Luanda e Huambo previsto para as 9:30 horas, com sorte sempre consegui levantar voo às 14 horas, 15 horas aterro no meu destino no interior de Angola, Planalto central, quase 1800 Mts altitude e o sentir no corpo o efeito do ar com menos oxigénio, mas mais agradável que Luanda, mais leve e temperatura mais amena. Curta viagem até à cidade de Huambo, (antiga Nova Lisboa). Passar pelas ruas desta cidade actualmente é fazer uma viagem no tempo de há quarenta anos atrás… (digo: uma cidade com milhares de pessoas, mas se por um passe de magia todos desaparecessem num momento e só lá ficasse eu, diria que é uma cidade abandonada há 50 anos). Isso impressiona pela negativa, ver o que se fez dessa cidade que se adivinha ter sido um paraíso, uma cidade fundada há 90 anos, com infra-estruturas que muitas cidades actualmente não sonham, mas com uma destruição que mete dó. Uma cidade planeada com régua e esquadro, como se costuma dizer, ruas amplas, passeios espaçosos, jardins (ou o que resta deles) lindos, casas de sonho, vários hotéis, duas universidades, três hospitais, escolas várias, um bairro dos funcionários ferroviários, (a Ferrovia, Clube dos ferroviários, das coisas mais bem conservadas, campo de futebol, piscina olímpica, espaço de espectáculos, tem este clube segundo informação, sessenta anos), isto algumas das coisas que vi pela minha breve passagem por Huambo, mas, acho pelo que vi, talvez noventa por cento numa destruição quase total, impressionante. Chocante, a miséria, a pobreza, as crianças descalças quase despidas a pedir esmola a quem passa ou chega de novo, olhar os olhos dessas crianças e ver os olhos sem esperança, sem saber o que será o dia de amanhã, isso invade o íntimo e deixa-nos paralisados a pensar o que fizeram desse paraíso que estava ali plantado, um bocado de mundo onde nada faltava, não me disseram mas adivinha-se por tudo o que ainda resta em pé, abandonado mas ainda em pé. Chocante é ver as crianças que de manhã vão para a escola, cada uma com o seu banquinho, que lá as crianças levam os bancos para se sentarem nas aulas, em escolas, (poderemos chamar escolas a edifícios sem portas, janelas e algumas sem as paredes todas, outras mais bem tratadas e já podemos ver algum cuidado) e nessas escolas crianças aprendem a ser gente com enorme força de vontade.
Muitos dos que por ventura lerem estas palavras conhecem Huambo, mas para quem não, digo, ali acredito que foi uma potência agrícola, vê-se pelas infra-estruturas, embora abandonadas mas que existem, um exemplo que dou; - “matadouro municipal de Huambo” – Coloquem quatro campos de futebol juntos e será a área desta instalação que actualmente está sem actividade, há quarenta anos seria impressionante.
As feiras existentes diariamente onde há tudo e nada, tudo e nada que possuem, para o que precisam, locais onde se vende desde o pão no passeio da rua cheia de pó, até camas feitas artesanalmente e os mais variados utensílios que não consegui descortinar para que serviam, mas sempre no meio de uma miséria impensável, só quem vê consegue acreditar e mesmo assim custa… Segue-se pela estrada para o interior, passamos a povoação “Benfica”, (ouvi dizer que é natural dali o Mantorras), seguimos pela estrada que em outro tempo foi asfaltada, agora de terra, em reparação novamente, alguns quilómetros e uma área de serviço, (abandonada, destruída), volto a frisar, há quarenta anos havia por lá áreas de serviço em estradas nacionais. Mas nem tudo estás destruído como é natural, muitos edifícios estão conservados.
Seguimos pela estrada para o interior e aí é que se começa a ver e sentir África, savanas imensas, (nesta zona de Angola não há florestas e selva), como disse e nota-se, devia ser uma zona agrícola de forte expansão e enorme produção, pelo abandono transformou-se em savanas de vegetação mais pequena, com árvores menores e paisagem de savana a perder de vista. Começamos a sentir o quanto África nos entra no corpo e nos prende a estas paisagens, a este sentimento de querer ficar e sentir o cheiro da terra, um cheiro diferente, uma sensação de liberdade que nos invade quando pelas estradas e caminhos vamos penetrando pelo interior e chegamos ao Bailundo, (cidade que tem o nome do primeiro ‘Soberano’ que governou.) Bailundo, uma cidade dentro de um jardim, “literalmente”, pena o abandono a que foi votada, Se Huambo é um paraíso, ali é muito mais, mais vegetação, mais árvores, coqueiros, bananeiras, cana de açúcar, mamões e outras que eu não sei o nome… Sem ser floresta plena, é mais verde e mais agradável.
Nos poucos dias que estive em África – Angola, Planalto central – Província de Huambo deu para compreender quem diz que África apaixona, sem tempo de me apaixonar, é uma ‘amiga’ que quero voltar a ‘abraçar’.
Não vi o filme “África Minha”…
Dizem que é belo e apaixonante como África…
Vi África!...
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Publicado por Palavras Soltas às 01:09
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